• MOB Dica

A felicidade que se busca, onde está?

Atualizado: 10 de Jul de 2019




Muitos acreditam que é o dinheiro a fonte da felicidade. E assim, foram incentivados a trabalhar, ganhar, construir, conquistar, matar e enganar pela riqueza. A prosperidade financeira e o sucesso profissional se tornaram medidas de alegria de vida de uma pessoa adulta. Na sociedade capitalista ocidental, então, se eu não tenho dinheiro, não tenho direitos... nem de ser gente, nem de ser feliz. Há quem ache que só encontra alegria em um relacionamento, apenas ao estar com alguém por quem seja apaixonado sente-se pleno de verdade. E acaba por colocar a pessoa que ama em um lugar de provedor da real felicidade que até então não existia. Outros, percebem apenas nas crianças uma alegria genuína, com seus pulos, gritos, gargalhadas. E, por vezes, vive saudosista de sua própria infância, quando "era feliz e não sabia", tornando bem complexo o encontro com a felicidade na maturidade. Joga para seus filhos a responsabilidade de os fazerem feliz. Também existem os que buscam na religião, nas drogas, no consumo ou nas aventuras a tal fonte inesgotável de prazer de vida. Indo contra todas essas correntes, cada vez mais ouve-se dizer que a alegria está dentro de cada um, e que ninguém ou nada além pode fazer um ser se sentir feliz. Afinal, onde está essa tão valorizada felicidade? Em que lugar, em que posição, com qual acção eu consigo achar? O que de fato é o grande catalisador da alegria de viver?


Essa busca vem sendo alimentada por tantas respostas diferentes, e por vezes contrárias, que nessa jornada acaba-se por enfrentar, na verdade, uma grande frustração. As redes sociais, com suas fotos produzidas, com seus momentos perfeitamente retratados e descritos, em sua maioria reforçam uma cara da felicidade forçada, e colaboram para criar um mundo repleto de falsidade, no qual os reais sentimentos não tem muito lugar. Depressões e suicídios vêm sendo relatados em números cada vez mais crescentes pois a mentalidade que vigora é a de ser feliz o tempo todo. Só que existem preços altos demais a se pagar por isso. E há quem deseje apenas cessar essa cobrança, vivendo o dia a dia com um simples "ok", não com o "está tudo maravilhoso!". Existe um custo para quem suprime a real tristeza, dor ou cansaço em prol da sempre exigida alegria. Muitas vezes, esse valor é a exclusão, o julgamento, o afastamento de seguidores, o simples fato de ser taxado como problemático ou se tornar recluso por não ter muito de fato o que dizer por aí. O que acontece nessa sociedade que não dá lugar para sentimentos considerados ruins, sempre separando os melhores lugares para os considerados bons? As gerações posteriores acabam pagando o pato, por reviverem em suas vidas os sentimentos que não tiveram lugar nas gerações anteriores.


Será que existe felicidade nos posts tão alegres que você vê nas redes sociais?

Se uma família passa por dificuldades financeiras, provavelmente, algumas pessoas tentarão esconder esse fato da maioria de seus integrantes. Muitos pais e mães adoecem, perdem sua saúde mental e a alegria tentando fazer com que seus filhos jamais saibam as dificuldades que passam para mantê-los. Se tornam provedores de primeira para eles, mas, para si, cortam tudo. De certo, seus pais tiveram que fazer sacrifícios, e eles próprios quando crianças passaram por necessidades. Crescem e se tornam pais perfeitamente criados, se matando no trabalho para não deixar faltar em casa. É possível que esses filhos criados na falsa riqueza, quando crescerem, sintam faltam dos pais, que passaram por tanto para criá-los com dinheiro, mas que estiveram pouco presentes em suas vidas. Podem ter raiva da riqueza, pode ser difícil encontrar no dinheiro a felicidade ou achar que ela só vem dele. Podem acabar por repetir os padrões pelos pais e avós estabelecidos de que a felicidade está em algum lugar lá fora.


Do mesmo jeito, imagine uma criança ao ver seu pai o tempo todo postar fotos sorrindo, mas, ao longo do dia, ficar de cabeça baixa, olhar tristonho na tela do celular, rodando o dedo para cima e para baixo em busca de outras felicidades? Pense se você convive com um parente que canta a alegria nas orações, nas missas, nos cultos. Mas que no dia-a-dia xinga o vizinho, fala mal dos amigos, condena os que fazem algo contrário ao que pensa, julga os outros por não cantarem as mesmas crenças que ele? Quais são as informações sobre como ser feliz que chegam até você, a partir da sociedade, de seus amigos, de sua família? De você próprio? Quais são os custos que você vem pagando para tentar ser feliz?


Quando entrar em contacto com essas respostas pode perceber que existem sentimentos precisando ser expressados além da alegria. E, sem equilíbrio, pode ser mais complicado a felicidade encontrar um caminho fluido para se estabelecer em você. Por vezes, para ser alegre, é melhor ser triste primeiro, como nos canta Vinícius de Moraes. Ao entrar em contacto com seus sentimentos mais excluídos, mais abafados, mais reclusos, como a dor, a raiva, o medo, a tristeza, ou com suas necessidades por vezes deixadas de lado, como a de ficar sozinho de vez em quando, pode perceber que talvez sejam esses os grandes impulsionadores para abrir caminho para a alegria genuína nascer de dentro pra fora, de fora pra dentro, de onde quer que venha. A felicidade não é algo que se controla, é algo que surge, que nos toma e, por vezes, dura bem pouco. A alegria pode se cansar de ser o único motivador de nossas vidas, pois algumas vezes, são outros os grandes motivos para se crescer, viver, ir além. Os conflitos, quando olhados de um lugar maduro e com paz no coração, podem ser excelentes formas de se transformar para algo que considere melhor.


Esconder os reais sentimentos pode fazer com que eles ganhem muito mais força na sua vida e na do seu sistema.

Há um desenho animado que retrata bem essa necessidade de equilíbrio, e chama-se "Divertidamente". Assista. Com ele, eu percebi que enquanto eu não dava lugar para minha tristeza, a felicidade fazia uma força danada para resolver tudo sozinha. E acabava atrapalhando mais ainda todo o processo. Sentir empatia pelas fraquezas, dificuldades, momentos dolorosos seus e dos outros, e perceber que há muita falsidade sendo incentivada pelo mundo como real alegria, pode ajudar a abrir caminho para que a felicidade chegue até você. Pois ela não está em lugar nenhum, ela é. E ela chega, se tiver espaço para isso. Abrir espaço é se permitir sentir muito mais do que a sociedade, sua família ou você mesmo teima em dizer que é o melhor para você. Experimente.


Texto escrito por Lilian Rodrigues - que vem tentando abrir seus espaços para que a felicidade chegue, pois se cansou de procurar por aí...


76 visualizações

do Brasil para o Mundo

#2020 MOB Constela e Movimento Criativo do Ser

Marcas Registradas  - Direitos Reservados